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A reserva alimentar ainda é um desafio para os produtores rurais. Traçar alternativas estratégicas para que no período de seca não falte alimento para o rebanho é o objetivo do projeto ‘Forrageiras para o semiárido’. A iniciativa foi implantada em todos os estados da região Nordeste e no Norte de Minas Gerais.

Foram implantadas ao todo, 13 Unidades de Referência Tecnológica (URT’s) representativas do semiárido brasileiro. O Projeto irá avaliar o potencial produtivo e a adaptação das plantas forrageiras às condições climáticas do semiárido. O projeto é desenvolvido em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por meio do Instituto CNA, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tendo como característica de ser um experimento estatístico de Delineamento Inteiramente Casualizado (DIC). Ao final, será feita a análise dos dados obtidos.

Técnico do Senar/SE, Flávio Napoleão

Em Sergipe, o projeto é executado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Sergipe (Senar/SE), no município de Carira. Segundo o técnico do projeto, Flávio Napoleão, em março foi iniciado o primeiro plantio.

“Nós começamos no mês de agosto de 2017, mas ficamos impossibilitados de fazer algumas ações por causa do período de estiagem e a partir de março deste ano começamos os plantios. De agosto até março fizemos a parte de infraestrutura. Escolhemos a área, cercamos o terreno, preparamos o solo, fizemos as marcações, adubamos em fundação e em março as primeiras mudas de palma começaram a chegar e nós fizemos o primeiro plantio no dia 13 e 14. Começamos o plantio com as palmas”, explica Flávio.

Nos meses seguintes, o projeto avançou com o plantio das variedades anuais (milhos, Milhetos e Sorgos) e as variedades perenes (capins e as forrageiras). Apesar da escassez de chuva para o período, o engenheiro agrônomo Flávio Napoleão avalia que houve produção dos milhos e uma relativa produtividade dos milhetos e sorgos. O desenvolvimento das palmas também apresentou um bom resultado, como explica Flávio.

“As palmas já conseguimos visualizar e é bem nítido o desenvolvimento, apesar da seca. Dentro delas já existe uma que sobressai no seu desenvolvimento. Visualmente, com o regime de temperatura que tivemos e com pouca água já existe uma variedade despontando. De um modo geral, a dinâmica do projeto visa comparar o desenvolvimento em várias regiões diferenciada porque quando a gente lida com estados diferentes nós temos estrutura do solo, próprio clima e altitude, incidência de pragas, entre outros aspectos envolvidos Vamos comparar não somente a palma miúda tão difundida na nossa região como  também demais testadas nestes projeto como a Ipa Sertânia, Orelha de Elefante Mexicana e a Redonda ”, pontua.

Resultados esperados

No mês de janeiro, na época do corte de produtividade a proposta é distribuir em pequenos lotes para os produtores, uma quantia destas palmas colhidas para que eles possam plantar nas propriedades em caráter de teste sem contudo ainda ser a recomendação final do projeto. Segundo Flávio, após as análises dos materiais e os dados serem tabulados e processados, a ideia é recomendar para o produtor rural do nosso estado.

“O objetivo específico é que a Embrapa no final desse período de pesquisa, valide e possa recomendar variedades específicas de palmas. Todas as URT’s estão produzindo muito bem, e isso mostra que a palma deve ser mais difundida em todas as regiões”, afirma.

Outra proposta do projeto é realizar ações de palestras em Dia de Campo e para divulgar o projeto e mostrar a importância de ter uma reserva alimentar na propriedade. Ainda segundo Flávio, o produtor pode usar o aplicativo “Orçamento Forrageiro”, que vai auxiliar o produtor na gestão e no manejo das forrageiras da propriedade.

“O aplicativo oferece uma orientação de gestão. São dados pluviométricos coletados em 40 anos no banco de dados da Embrapa. Ele oferece orientação de todos os municípios do Nordeste e com base no histórico de chuva, ele começa a fazer combinações de informação e diz se você ter alimento suficiente para aquela quantidade de animal. Se for suficiente, ótimo e se for deficiente ele gera uma possibilidade de fazer um ajuste. São ações paralelas ao projeto que é gratuito e está disponível para baixar no sistema android e logo estará disponível na plataforma IOS”, pontua.

A pesquisadora da Embrapa de Caprinos e Ovinos, Ana Clara, destaca que a expectativa é que o projeto traga um impacto positivo para o produtor rural. Além de oferecer ferramenta que auxiliem na tomada de decisões

“O impacto que nos esperamos para os produtores é no sentido de que ofertando plantas forrageiras, que são altamente adaptadas e produtivas para o semiárido, nós possamos construir uma pecuária mais sustentável e competitiva para os diversos sistemas de produção do semiárido. Além de dar uma contribuição efetiva no processo de inovação no meio rural permitindo que os produtores utilizem plantas que vão ser mais resilientes nas condições de seca, bem como disponibilizar ferramentas de tomadas de decisão que auxiliem os produtores na escolha da melhor”, afirma Ana Clara