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Como um marco na abertura da 11ª Festa do Ouro Branco, em Nossa Senhora da Glória, a palestra promovida ontem (15) pela Federação da Agricultura e Pecuária de Sergipe, FAESE, ganhou tom de bate papo e contou com a participação de muitos produtores. Desse encontro, nasceu a Comissão da Pecuária de Leite, cuja atividade promoverá o desenvolvimento da cadeia produtiva sergipana.

O profissional à frente dos debates, Rodrigo Alvin, é Presidente da Comissão de Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura. Seu notório conhecimento a respeito do cenário nacional da atividade e suas ponderações sobre a postura que deve ser adotada pelos produtores para a sustentabilidade da cadeia foram de grande valia para o público presente. “O evento foi muito bom, especialmente porque falou a verdade”, declara Gustavo Resende, a respeito do diagnóstico do mercado feito pelo palestrante. “Ele despertou várias idéias nos produtores envolvidos. Abriu um vasto leque de discussões”, complementa Marcelo Barreto.

Em sua apresentação, Rodrigo fez um resumo histórico do setor a partir da década de 90, contextualizando ações adotadas pela CNA para a proteção da produção brasileira quando concorrendo com produtos importados; falou da questão climática, que a seu ver não deve ser encarada como limitador para os nordestinos e enfatizou a necessidade de alteração no posicionamento do pequeno produtor, ressaltando a importância do associativismo e da constante capacitação técnica para a sua sobrevivência no mercado. Para o palestrante, este momento demanda maior protagonismo por parte dos produtores. “No Nordeste, as pessoas reclamam muito da falta de atuação do governo. Sempre que eu tenho oportunidade, eu digo para que esqueçam o governo e façam acontecer”, declara. “Os exemplos que eu dou de casos de sucesso não são de subsídios, são de competência, de pessoas que se organizaram, fundiram as suas inúmeras cooperativas para a formação de uma grande cooperativa e hoje dominam o mercado de produtos lácteos no mundo”, explica. A organização dos produtores em associações ou cooperativas possibilitará que seja adotada uma política que proporcione o crescimento de todos os que compõem a cadeia pecuária do leite, em especial, do pequeno produtor, que representa cerca de 95% do mercado brasileiro.

Em Sergipe, o debate realizado na manhã de ontem já apresentou resultados práticos. Cerca de 10 produtores se organizaram para a criação da Comissão de Pecuária de Leite da FAESE, cujas pautas mais urgentes passam pela necessidade de criação de uma política de pagamento por qualidade e pela necessidade de constante capacitação técnica da mão de obra local. Neste sentido, o Presidente do Sistema FAESE/SENAR, Ivan Sobral, antecipa que será dada total atenção aos pleitos apresentados. “Há algum tempo os produtores nos demandam a oportunidade de esclarecimento a respeito da dinâmica do mercado em que estão inseridos. Sendo assim, consideramos que o evento de ontem não poderia ter resultado melhor. A partir dele, os produtores compreenderam não apenas os processos que regem a atividade que eles desempenham em nível nacional e internacional, mas puderam perceber, de maneira clara, que eles precisam realizar uma mudança de postura, que converge para o associativismo e para uma consequente reestruturação da cadeia produtiva. O Sistema está totalmente comprometido com o atendimento às demandas que serão levantadas pela Comissão que acaba de ser criada, observando o papel da Federação na representatividade dos produtores e do SENAR, no importante processo de capacitação contínua pelo qual os profissionais sergipanos precisam passar para acompanhar, de maneira competitiva, o mercado nacional”, explica.