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A estiagem é a principal dificuldade dos produtores de leite no semiárido e no sertão por afetar a produção do principal alimento do gado, que é o milho. Buscando alternativas, um projeto piloto de um sistema de irrigação de palma está sendo testado no município de Nossa Senhora da Glória.

O projeto é fruto do Programa Sertão Empreendedor desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Sergipe (Senar-SE) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Sergipe (Sebrae/SE). Foi implantada uma unidade de irrigação de palma com utilização de água de reuso e mais seis unidades serão instaladas, sendo que uma levará a água de reuso para irrigar um capim tifton para produção de feno.

O projeto piloto das unidades de reuso de água está sendo desenvolvido na propriedade do produtor, Ismar Lima de Farias, no município de Nossa senhora da Glória. Ele limpava a sala de ordenha e não tinha onde colocar a água por conta da quantidade. Foi desenvolvido um sistema em que a água é filtrada e serve para irrigar a palma.

“Uso cerca de 800 litros de água por dia para a limpeza do local da ordenha e que eu não sabia onde colocar. Veio esta ideia de irrigar a palma. O problema era filtrar esta água, por isso foi criado o sistema de filtro e instalado aqui para irrigar a palma. Com essa água, consigo triplicar a produção de palma por hectare”, explicou Ismar.

A supervisora do Programa Sertão Empreendedor, Camila Costa, explica que a palma é um alimento energético, barato, e ainda guarda a água que é tão escassa na região semiárida. “A palma suporta baixos regimes hídricos que temos na região do Alto Sertão sergipano, de forma que plantar palma é maior garantia do que plantar milho, por exemplo. Se estamos falando de gestão de propriedade leiteira, os produtores não podem perder investimentos. Palma é garantia de alimento para o gado”, pontua.

A mais nova tecnologia ainda está em fase de teste, mas a expectativa é que o projeto possa potencializar a produção de alimentos para o rebanho leiteiro no semiárido, ao passo que destina e reutiliza a água, um recurso tão escasso nesta região.

“Além de levar água aos palmais em período de estiagem, irrigar a palma com água que também contém esterco bovino, ou seja, vai nitrogênio também nesta água. A expectativa é de aumento da produção duas vezes maior do que uma palma plantada em regime de sequeiro. Nós ainda não temos dados produtivos sobre esta irrigação, mas os benefícios são perceptíveis aos olhos”, conta Camila.

Municípios

O presidente do Senar/SE, Ivan Sobral, explica que foram implantadas neste mês de agosto mais unidades de reuso e irrigação em outros municípios. Os municípios beneficiados são: Canindé, Carira, Frei Paulo, Poço Redondo, Porto da Folha e Tobias Barreto.

“Diante da perda nas lavouras de milho, a palma é um alimento alternativo para o gado. Esse sistema permite o reuso da água para irrigação da palma. É uma garantia de alimento, além do custo ser menor”, pontua Ivan.